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AVALIAÇÃO DAS HABILIDADES SOCIAIS NA LIDERANÇA

Bianca Sanches da Silva - CRP-12/17484

Diego da Silva

Bianca Sanches da Silva - Psicóloga, aluna da Especialização em Avaliação Psicológica pelo Grupo Rhema de Educação, Criciúma, SC.

 

Diego da Silva - Psicólogo, mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pela UFPR. Docente da Especialização em Avaliação Psicológica pelo Grupo Rhema de Educação, Criciúma, SC.

 

RESUMO: O presente estudo, trata-se de uma pesquisa qualitativa. A qual se classifica quanto à fundamentação filosófica em interacionismo simbólico, partindo do estudo nos processos de interação social, que ocorrem entre indivíduos ou grupos, mediados por interação simbólica. Por meio do estudo de artigos e livros, buscou-se alcançar os objetivos gerais, descrevendo assim, a trajetória, mudanças e adaptações que a liderança fez ao longo do tempo, para se adequar às necessidades dos liderados de acordo com o momento em que estavam vivendo. Sendo assim, conclui-se que ao longo do tempo novas características passaram a ser mais importantes para se enquadrar como um bom líder, entre elas, as habilidades sociais, que se encontram dentro da inteligência emocional. E por último, explanar sobre o instrumento IHS – Inventário de Habilidades Sociais, pois o mesmo nos possibilita avaliar as habilidades sociais de maneira ampla, inclusive de líderes.

 

Palavras-chave: Habilidades sociais; Liderança, Comportamento; Treinamento.

 

Abstract: This study is a qualitative research. Which is classified in the philosophical foundation as symbolic interactionism, departing from the study in the processes of social interaction, which occur between individuals or groups, mediated by symbolic interaction. Through the study of articles and books, it was sought to achieve the general objectives, thus describing the trajectory, changes and adaptations that the leadership has made over time, to adapt to the needs of the followers according to the moment they were living. Thus, it concludes that over time new characteristics have become more important to fit as a good leader, between then, the social skills, which are found inside emotional intelligence. And finally, explain about the SSI -  Social Skills Inventory, as it allows us to evaluate social skills in a broad way, including leaders.

 

Keywords: Social skills; Leadership, Behavior; Training.

 

1 INTRODUÇÃO

 

No mercado de trabalho, estamos sujeitos a sermos liderados por diversas pessoas com variedade de posições ideológicas, sociais, políticas e afetivas que podem acarretar em diversos conflitos, desde más interpretações até discussões pessoais entre líderes e liderados.

Segundo Caballo (2014), existe assim uma linha tênue para manter o equilíbrio e a harmonia entre as pessoas. O conflito pode ser gerado, pelos motivos mais diversos, como: expressar sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos de maneira inadequada ou assertiva.

Desse modo, ainda segundo o autor a cima mencionado, expressar nossas opiniões e sentimentos de maneira assertiva, é algo que precisa ser treinado, já que está atrelado as habilidades sociais, das quais quando não bem treinadas ou esclarecida, tornam-se os principais agentes causadores de conflitos interpessoais.

Esses problemas de relacionamento são evidenciados inúmeras vezes ao longo da vida profissional, e em muitos casos, os conflitos podem ser evitados com uma melhor comunicação e uma maneira adequada para lidar com a situação, a fim de diminuir a probabilidade de episódios negativos futuros das relações de um grupo (CABALLO, 2014).

Portanto, este artigo se constitui em esclarecer a importância da inteligência emocional em um líder, com o objetivo de esclarecer a necessidade da habilidade social para alcançar um melhor resultado e ao mesmo tempo manter uma equipe unida e em harmonia, visando a saúde mental de todos os envolvidos.

Sendo assim, apresentar-se-á no primeiro tópico do referencial teórico o conceito e os principais tipos de liderança, explanando no segundo tópico o conceito de inteligência emocional e as principais características de um líder emocionalmente inteligente com vistas na quinta habilidade exposta por Goleman (1995), a saber associabilidade a qual será explanada entre terceiro e quarto tópico deste artigo.

No penúltimo tópico o qual aborda o conceito e prática do Treino das Habilidades Sociais- THS, tratando-se de uma técnica da psicologia comportamental na promoção da mudança efetiva de comportamento.

Por fim, no último tópico, tratar-se-á do IHS (Inventário de Habilidades Sociais), um instrumento que nos possibilita uma avaliação das habilidades das pessoas.

Esta pesquisa, trata-se de uma pesquisa qualitativa de revisão integrativa de literatura. A qual se classifica quanto à fundamentação filosófica em interacionismo simbólico, partindo do estudos nos processos de interação social, que ocorrem entre indivíduos ou grupos, mediados por interação simbólica. Utilizou-se materiais já publicados em livros, artigos, literatura especializada e lacuna temporal.

 

2 LIDERANÇA

 

Bergamini (1994), relata que ao longo dos estudos sobre liderança, percebe-se que os teóricos se dividiam em categorias de pesquisas. Uns se preocupam com aquilo que o líder é, visando especificar traços ou características de personalidade que sejam os responsáveis por sua eficácia. Outros procuram apurar aquilo que o líder faz, assim, traçado diferentes estilos de liderança. Já outros, buscam o que torna um líder eficaz, estudando que vaiáveis do meio podem influenciar no desenvolvimento do vínculo líder-seguidor. E outro grupo de teórico, procurou estudar as motivações subjacentes às atividades de dirigir pessoas.

Desse modo Motta (1997), Robbins, (2000) e Hunter (2004), corroboram que liderar é a capacidade de influenciar pessoas ou grupos por meio da persuasão, da inspiração, o saber ouvir e contestar, escolhendo as melhores decisões para o grupo com o objetivo de atingir metas em comum.

Campos et al. (2013) e Santos et al. (2013), reconhecem que a liderança sofre variações ao logo dos anos e até de forma simultânea, em virtude de cada abordagem, em consequência do foco dado por cada pesquisador. Anteriormente essas mudanças ocorriam em décadas, hoje estão acontecendo diariamente. Pois mandar não é mais o suficiente para se tornar um bom líder, o grande desafio tronou-se compartilhar e investir nas pessoas.

Após as evoluções dos estilos de liderança nos estudos clássicos, para a contemporaneidade surgem tipos de teorias que facilitam o entendimento sobre os modelos de líderes, dos quais Sobral e Peci (2008) compreende como liderança transformacional e liderança carismática. O líder transformacional ou transformador caracteriza-se pelas suas habilidades de inovar e transformar o contesto organizacional, esse tipo de líder influência os seus liderados a superarem os interesses individuais em prol do coletivo. Já o perfil carismático, além de proporcionar a motivação e superação, os profissionais com esse perfil transmite aos seguidores, coragem, disposição em fazer sacrifícios, autoconfiança, são intelectualmente estimulantes e demonstram sensibilidade, características propicias para ambientes que impões incertezas e estresse. Habilidades emocionais se fazem necessário para todos os estilos de liderança, possibilitando uma melhor relação entre as pessoas, portanto é fundamental o desenvolvimento da inteligência emocional para o desempenho dessas relações.

 

3 INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

 

Atualmente não se fala tanto em inteligência geral, mas em muitas capacidades cognitivas separas. Goleman (1995) e Gardner (1995) desenvolveram novas teorias relacionadas a inteligência, alguns pesquisadores chamavam de inteligência social, outros chamavam de quociente emocional – QE, essa capacidade de lidar com pessoas e conflitos. Carl Ransom Rogers (1988) criador da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP) – originalmente conhecida como Abordagem Centrada no Cliente – e da Aprendizagem Centrada no Aluno – foi um dos pioneiros nesse campo de pesquisa.

Gardner (1995) descreve a inteligência emocional como, a capacidade de persistir e motivar-se diante de frustrações, impedir que a aflição invada a capacidade de pensar, regular o próprio estado de espirito, controlar impulsos e adiar a satisfação, tudo com a finalidade de assegurar uma vida bem-sucedida em diversos campos. A inteligência emocional é importante para todos, principalmente para aqueles profissionais que ocupam cargos de gestão, pois vivem em constante contato com os outros, ou seja, lidam diariamente com interações sociais. Para Robbins (2009, p.166) entende-se por inteligência emocional:

Deste modo, a inteligência aplica as emoções, auxiliam para as tomadas de decisões, e desenvolve-la é fundamental para uma liderança eficaz (GUEBUR; POLETTO; VIEIRA, 2007).

Goleman (2012) toma por referência central para a formação de líderes a utilização da "inteligência emocional", que está composta por cinco eixos, conforme a tabela 1 abaixo:

Tabela 1 - Os cinco componentes da inteligência emocional

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Adaptado de Goleman (2012), p. 66-67

 

Goleman (2002), explica mais detalhadamente do que se trata a inteligência emocional no meio organizacional. O termo “Ressonância”, é utilizado para nomear situações quando os lideres estabelecem vínculos seguros, proporcionando o desenvolvimento de relações de confiança, lidando com as adversidades por meio da inteligência emocional na busca por melhores desempenhos. E o termo “Dissonância”, é utilizado quando o vínculo líder e liderado se encontra incerto e cercado de desconfianças gerando uma ansiedade nos envolvidos. De forma geral, entende-se como um agente desencorajador, desanimando e afugentando a equipe.

 

4 HABILIDADES SOCIAIS

4.1 Histórico das habilidades sociais

 

Foi durante os anos 70 que as áreas das Habilidades Sociais tiveram o apogeu de sua difusão, entretanto, mesmo nos dias de hoje, existe um número muito grande de estudos e pesquisas sobre a área que, continuam a serem executados em vários contextos, dos quais Arón e Milicic (1994); Del Prette & Del Prette (1996, 2003) e Marinho (2003), citam a psicologia do desenvolvimento, psicopatologia clínica no que tange as relações sociais, desenvolvimento sócio emocional e saúde. Caballo (1999), nos traz ainda que, nas décadas de 60 e 70 foram cruciais para o embasamento cientifico das habilidades sociais, no entanto, foi por volta dos anos 80 que, iniciou-se gradualmente a implantação dos resultados obtidos nos trabalhos com habilidades em outras áreas da psicologia.

De acordo com Caballo (1999), foi Salter em 1949 que deu início aos trabalhos sobre habilidades sociais, considerado um precursor da terapia cognitiva comportamental e suas ideias ainda são utilizadas atualmente. Assim Caballo (1999 apud Salter 1949), cita seis dessas técnicas:

São elas, a expressão verbal e a expressão facial das emoções, o emprego deliberado da primeira pessoa ao falar, o estar de acordo quando se recebem atenções, cortesias ou elogios, o expressar desacordo e a improvisação e atuação espontâneas. (CABALLO, 1999, p. 362).

 

Caballo (1999) conta que, Wolpe recapitula as ideias de Salter em um de seus livros, por volta de 1958, onde introduz o termo “comportamento assertivo” que posteriormente se tornaria quase o mesmo que habilidade social. O Autor ainda coloca que vários autores e profissionais, a partir de 1966, começam a aplicar o treinamento assertivo de habilidade sociais como ferramenta de uso clínico, posteriormente, Alberti e Emmons (1970) escrevem anos mais tarde o primeiro livro voltado inteiramente à assertividade. Caballo (1999) postula que, apesar de esses terem sido os primeiros momentos das pesquisas em habilidades sociais, houveram também diversos outros autores e pesquisas que auxiliaram no desenvolvimento da construção cientifica da área do THS, em que podemos destacar como uma segunda fonte de embasamento as pesquisas de Ziegler e Phillips (1960, 1961):

Esta área de investigação com adultos institucionalizados mostrou que quanto mais elevada é a habilidade social previa dos pacientes que são internados no hospital, menor e seu tempo de internação e mais baixa sua taxa de recaída. O nível de habilidade social anterior a hospitalização demonstrou ser um melhor preditor do ajuste depois da hospitalização do que o diagnostico psiquiátrico ou o tipo de tratamento recebido no hospital (CABALLO, 1999, p. 363).

 

Para Caballo (1999), os estudos de Argyle e Kendon (1967) também contribuíram para o embasamento das habilidades sociais, os quais defendiam que:

Uma habilidade pode ser definida como uma atividade organizada, coordenada, em relação a um objeto ou uma situação que implica numa cadeia de mecanismos sensoriais, centrais e motores. Uma de suas características principais e que a atuação, ou sequência de atos, acha-se continuamente sob o controle da entrada de informação sensorial.  (ARGYLE E KENDON, 1967 apud CABALLO, 1999, p. 363)

 

 

 

 

4.2 conceito de Habilidades sociais

 

Estas habilidades são considerados comportamentos necessários para uma relação interpessoal ser bem-sucedida, respeitando as necessidade de cada contexto e as características de cada cultura, podendo compor os comportamentos de iniciar, manter e finalizar conversas, pedir ajuda, fazer e responder a perguntas, fazer e recusar pedidos, defender-se, expressar sentimentos, agrado e desagrado, pedir mudanças no comportamento do outro, lidar com críticas e elogios, admitir erro e pedir desculpas e escutar empaticamente, dentre outros (CABALLO, 2003; FALCONE, 2002). As habilidades sociais vão além do conteúdo da fala, outros aspectos, como: não verbais (Ex.: postura e contato visual), cognitivo-afetivos (Ex.: auto eficácia e leitura do ambiente), fisiológicos (Ex.: respiração e taxa cardíaca) e aparência pessoal e atratividade física, são igualmente importantes (DEL PRETTE e DEL PRETTE, 1999).

Caballo (1986 apud CABALLO, 1999, p. 365) descreve as habilidades sociais como:

[...]conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa os sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo, de um modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação enquanto minimiza a probabilidade de futuros problemas.

 

Giovanni, Tadeucci e Oliveira (2010, p. 3) colocam que “com o panorama atual, faz-se necessário adquirir habilidade social emitindo um comportamento adaptado a uma situação e gerando uma resposta competente.”. De acordo com Del Prette e Del Prette (2014), as pessoas com competências e habilidades sociais mais assertivas, possuem relações de melhor qualidade e por mais tempo, além da melhora na saúde física e mental, isso por conta que o ambiente de trabalho organizacional competitivo faz com que se necessite de um manejo mais aguçado das relações sociais para manter a produtividade no trabalho, e precaver o adoecimento dos profissionais.

As habilidades sociais segundo Caballo (1996) variam de acordo com a pessoa e com a situação, ou seja, diferentes situações necessitam de respostas diferentes. Assim (ABERTI, 1977 apud CABALLO, 1996, P. 365), faz algumas considerações quando se fala em habilidades sociais:

I. É uma característica do comportamento, não das pessoas.

II. É uma característica especifica à pessoa e à situação, não universal.

III. Deve contemplar-se no contexto cultural do indivíduo, assim como em termos de outras variáveis situacionais.

IV. Está baseada na capacidade de um indivíduo para escolher livremente sua atuação.

V. É uma característica do comportamento socialmente efetivo, não prejudicial.

 

Contudo, Caballo (1999) explica que para considerar alguém socialmente habilidoso, precisa-se apresentar capacidades, como: iniciação e manutenção de conversações; falar em grupo; expressar amor, afeto e agrado; defender os próprios direitos; solicitar favores; recusar pedidos; fazer e aceitar cumprimentos; expressar as próprias opiniões, mesmo os desacordos; expressar justificadamente quando se sentir molestado, enfadado, desagradado; saber desculpar-se ou admitir falta de conhecimento; pedir mudança no comportamento do outro e saber enfrentar as críticas recebida. Há abundantes situações, ambientes e pessoas em que essas respostas possam ocorrer, como: ambientes de consumo, de transporte público, de formalidade, de trabalho, familiar etc;

Del Prette e Del Prette (2014) estrutura de forma mais implementada as ideias de Caballo (1996):

Tabela 2 - Habilidades Sociais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Adaptado de Del Prette (2014), p. 13

 

O conjunto de habilidades sociais é adquirido naturalmente durante a vida e também podem ser aprendidos ou aperfeiçoados através do treinamento de habilidades socais (GIOVANNI, TADEUCCI E OLIVEIRA, 2010, p. 3).

 

 

4.3 Treinamento de habilidades sociais

 

Segundo Pacheco, Teixeira e Gomes (1999) Gomide (2003), Giovanni, Tadeucci e Oliveira (2010), por meio das conexões e relações naturais com os familiares, colegas de trabalho, amizades e amorosas é possível constituir o conjunto de habilidades sociais. Contudo os atores acima citados, informam que essas conexões podem ser imperfeitas, acarretando problemas nas habilidades sociais. Os autores indicam então que o THS é um método de aperfeiçoar as competências interpessoais melhorando os comportamentos sociais. Sendo assim, Caballo (1999) traz que um procedimento completo de THS resultaria em quatro mudanças, de quatro diferentes componentes de habilidades sociais:

Tabela 3 - Quadro de mudanças para melhora em Habilidades Sociais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Adaptado de Caballo (1999)

 

Giovanni, Tadeucci e Oliveira (2010) informa que assertividade é o termo chave dentro das habilidades sociais, ela também se distingue dos comportamentos passivos e agressivos, que são os outros comportamentos identificados dentro do âmbito das habilidades sociais. Sendo assim, o objetivo do THS é aumentar o nível de assertividade no comportamento.

Para o comportamento passivo, os autores acima citados, explicam que o indivíduo tem um comportamento de fuga, pois para agradar os outros evita qualquer tipo de confronto, ademais, apresentam dificuldades em mostrar seus sentimentos e vontades, sendo assim, acabam se frustrando e não conseguindo alcançar suas metas, o que resulta em baixa autoestima e baixa autoconfiança.

Quanto ao comportamento agressivo, Giovanni, Tadeucci e Oliveira (2010) nos traz que o objetivo do indivíduo é de se destacar por meio da humilhação depreciação das pessoas que se relaciona, ou seja se resulta num tipo de comportamento em que o indivíduo age de maneira negativa. Ao desrespeitar o outro, com o longo do tempo o relacionamento interpessoal vai ficando cada vez mais insuportável.

Conforme os autores citados, o comportamento assertivo é aquele que o indivíduo consegue expressar suas vontades e sentimentos, porém, respeitando a opinião e ideias dos outros, também, consegue se afirmar e impor, sem agredir e sem ansiedade. Quando um profissional possui esse perfil, juntamente com a segurança e confiança em sua pratica, saberá lidar com pessoas agressivas e passivas conseguindo extrair o melhor delas.

 

5 PROCEDIMENTOS DE TREINAMENTOS E AVALIAÇÃO EM HABILIDADES SOCIAIS PARA LÍDERES

 

Os Autores Giovanni, Tadeucci e Oliveira (2010) explicam que para desenvolver novos comportamentos é preciso desenvolver uma melhoria nos elementos que os autores chamam de molares e moleculares. Molares são uma visão geral das capacidades sociais do indivíduo de como se defender, por exemplo, de se sair bem em uma entrevista. Já os elementos moleculares são aspectos menores de habilidade, mas que copões o comportamento social habilidoso, como por exemplo a postura, gesto de mãos, contato ocular, qualidade da voz, expressão facial, entre outros.

Caballo (1999) descreve de forma mais elaborada esses componentes moleculares:

Tabela 4 - Componentes Moleculares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Adaptado de Caballo (1999), p. 374-375.

 

Caballo (1999) traz também outros componentes moleculares que servem como comparação para a qualidade da relação interpessoal da pessoa socialmente habilidosa, como o volume da voz, a entonação, a fluência da fala, o tempo de fala, o conteúdo do discurso, a distância física e a orientação que seria o grau de intimidade da relação entre as pessoas.

 

5.1 instrumentos

 

Um instrumento adequado para avaliar as habilidades sociais seria o IHS (Inventário de Habilidades Sociais). Del Prette e Del Prette (2014), ele é de fácil aplicação com o objetivo de caracterizar o desempenho social em diferentes situações, possibilitando diagnóstico para uso na clínica, na educação, na seleção de pessoal e no treinamento profissional.

O inventário é composto por 38 afirmativas onde o avaliado vai encolher entre 5 respostas, entre elas: Nunca ou raramente; Com pouca frequência; Com regular frequência; Muito frequentemente; Sempre ou frequentemente. O escore total e os escores de cada fator, obtidos no grupo amostral, serão convertidos em percentis para o sexo masculino e feminino.

Tabela 5 – Escores Fatoriais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Adaptado de Del Prette e Del Prette (2014), p. 3.

 

Com essa informação é possível comparar o resultado de qualquer indivíduo com os escores do grupo de referência deste estudo. Esse instrumento é utilizado em jovens e adultos com no mínimo uma formação em segundo grau.

 

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Baseando-se nos estudos obtidos, fica claro que as características de um bom líder vão sofrendo alterações ao longo dos anos, pois, por meio de dados obtidos, são as características como carisma, caráter e empatia que começam a sobrepor conhecimentos técnicos para se enquadrar como um bom líder.

Sendo assim o quociente emocional é tão ou mais importante que o quociente de inteligência, e dentro do quociente emocional encontramos as habilidades sociais, que parecem atitudes simples do dia-a-dia, mas que muitas pessoas tem dificuldades em praticar, ou não tem conhecimento da falta dela em seu cotidiano.

Por meio deste, surge o questionamento, se você possui essa habilidade. Pensando assim, desenvolve-se um inventário que nos possibilidade avaliar o grau de habilidade social dos indivíduos, que pode ser usado em diferentes situações, sendo uma delas no contesto organizacional, para poder avaliar os líderes, ou possíveis líderes de um setor ou o líder da própria empresa.

O inventário de habilidades sociais é um instrumento que nos permite auto conhecimento e a possibilidade de mudança de comportamento em relação as habilidades sociais por meio de um treinamento em relação as mesmas. Resultando em uma grande possibilidade de crescimento pessoal e profissional, tornando o ambiente profissional mais acolhedor e ameno.

 

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